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FOTOS KOLDEWAY A.C.

DESTRUIÇÃO: pista de caminhada perde um pedaço da natureza

Mais espaço para o lazer

Às vésperas de completar 11 anos- no próximo dia 8 de abril-, o Parque de Coqueiros mais uma vez mobiliza a comunidade. Desta vez, as queixas ficam por conta da ocupação de prédios e monumentos na área de lazer. Aliada às construções erguidas pela Prefeitura de Florianópolis e os empreendimentos que ainda estão no papel, no último sábado, 20 de fevereiro, os freqüentadores do parque fizeram suas caminhadas com nova companhia. Um trator, em plena luz do dia, derrubou a cerca viva que separava o parque do terreno do Instituto Federal de Santa Catarina (IF-SC), antigo Cefet. “Considero uma agressão à natureza. Estão destruindo a única área de lazer da comunidade”,  reclama a produtora cultural, Luiza Filippo. Segundo ela, trata-se de um crime ambiental já que o local é o habitat de preás.

Questionada pela reportagem da Folha, a diretora geral do Campus Florianópolis-Continente, Daniela de Carvalho Carrelos, lamentou o episódio e garantiu a reurbanização do local. A promessa também foi repassada pelo pró-reitor de Relações Externas do IF-SC, Marcelo Silva, ao detalhar a causa da ocorrência. “A construtora, responsável pela obra que está sendo erguida no terreno, promoveu uma limpeza na cerca de arame – que divide a instituição do parque- que estava coberta pelo mato. A foi necessária para dar continuidade à construção da nova sede da reitoria do IF-SC”, diz Marcelo Silva, garantindo projeto de paisagismo no lugar.

Com prazo de conclusão para o próximo mês de novembro, o prédio, com dois pavimentos, vai ocupar uma área de 2,3 mil metros quadrados e abrigará a parte administrativa do instituto – que hoje funciona em prédio alugado no centro de Florianópolis-, e um centro de educação a distância. “Não queremos causar nenhum impacto ambiental à região. Ao contrário. O projeto prevê ecotelhado, aproveitamento da água da chuva, entre outros. Também não vamos bloquear o acesso ao mar. Pretendemos ampliar a pista de caminhada e se integrar ao parque”, antecipa o pró-reitor.

FOTO MARCELO BITTENCOURT

SEM SERVENTIA: prédio construído para aquário continua vazio

Obras geram polêmica

Outra batalha que está sendo travada pelos moradores de Coqueiros é com relação à construção do Posto de Saúde do bairro. Solicitação antiga da comunidade, a obra, no entanto, está gerando polêmica devido à localização da unidade. A edificação, ao contrário do projeto original, que previa a implantação do posto no prédio do almoxarifado da Companhia Catarinense de Água e Saneamento (Casan), será erguida ao lado do prédio, onde hoje está localizado um galpão. Desse modo, a obra irá avançar quase 20 metros na área do Parque de Coqueiros e ficará próxima à Avenida Engenheiro Max de Souza.

“A construção em cima da rua vai gerar problemas de segurança, de acessibilidade, de estacionamento, além de prejudicar a estética e o acesso ao parque. O fato não se justifica, já que há terreno de sobra na parte detrás do Parque de Coqueiros”, explicam os dirigentes da entidade. Eles lembram que assim como a associação defende a implantação de um centro de saúde de qualidade, a entidade briga também pela conservação do parque.

“A área de estacionamento e de lazer já é pequena para o grande número de visitantes. Entendemos que possa haver outra alternativa para evitar o avanço sobre a área do Parque”, diz a vice-presidente da Associação de Moradores de Coqueiros (Pró-Coqueiros), Beatriz Cardoso. O vice-presidente da Ufeco, Marcos Pinar, também compartilha a mesma opinião. “Sabemos da necessidade do posto de saúde, mas não podemos perder espaços de lazer que já são tão poucos”, defende.

Como se não bastasse a polêmica, está previsto um projeto de abertura de rua, no Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (IPUF), que cortará o parque exatamente onde hoje está o estacionamento. E o pior: vai prejudicar área de mangue que existe no lugar.  “Se o projeto se concretizar, a iniciativa vai de encontro ao discurso da prefeitura que, ao resolver comandar a administração do parque, tirando das mãos da comunidade, teve como principal argumento a democratização do estacionamento”, critica Luiza Filippo.

Quanto aos empreendimentos já erguidos no local, um prédio chama a atenção do público pela falta de planejamento. Trata-se do prédio construído pela Secretaria do Continente, em 2008, durante a gestão Luiz Ernesto Quaresma, para abrigar um aquário público. Apesar das boas intenções, o prédio continua vazio e sem nenhuma utilidade. “Não sei de quem foi a idéia de erguer a edificação. Na minha opinião, uma obra totalmente desnecessária”, declarou o atual secretário Deglaber Goulart, que pretende transferir a sede do parque para o prédio e transformar a atual casa da administração num quiosque para venda de sucos e lanches.

A iniciativa, entretanto, foi contestada pela associação por temer a venda de bebidas alcoólicas e contrariar a proposta do parque que é de oferecer qualidade de vida desvinculada da questão comercial.
 
Entenda o caso

O Parque de Coqueiros foi entregue à Prefeitura de Florianópolis em setembro de 2006. Até então administrado pela Sociedade Amigos de Coqueiros, que recebeu do Governo do Estado de Santa Catarina em abril de 1998 a permissão de uso do terreno por tempo indeterminado, o parque foi devolvido ao Patrimônio da União no dia 11 de setembro de 2006.  A entrega do local, bem como das benfeitorias, se deu após a associação descobrir que a União havia transferido a área para o município em 12 de julho de 2001. Construído com recursos da comunidade, que investiu cerca de R$ 500 mil em obras, além de doações da iniciativa privada, o parque iniciou, naquela data, uma nova era. Afinal, a troca de dono acabou sendo consumada para alegria de uns e tristeza de outros.

Para administrar o parque, foram convidadas, na época pelo secretário Regional do Continente, vereador Gean Loureiro, as entidades comunitárias do bairro para formar um conselho. Iniciativa louvável que, no entanto, não foi cumprida. De lá para cá, a Prefeitura de Florianópolis vem entupindo o Parque de construções, muitas vezes sem utilidade, como é o caso do prédio erguido para acomodar um aquário gigante, sem escutar a opinião das entidades representantes dos moradores locais.

Agora, mais notícias colocaram a comunidade em alerta: a construção do Posto de Saúde, a abertura de uma rua e a exploração de um quiosque.

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