Perdemos um amigo
Sibyla Loureiro

Faleceu no último dia 9 de dezembro, às 6h da manhã, em Florianópolis, o paisagista e banqueteiro Eduardo Marques de Souza. Com 69 anos, Dudu, como era carinhosamente chamado pelos amigos, morreu de insuficiência respiratória no Hospital Governador Celso Ramos, centro da Capital. Natural de Porto Alegre, Dudu trabalhou com empresários, artistas e pintores fazendo o que mais gostava: cozinhando e decorando o ambiente para receber amigos e convidados. De grande sensibilidade artística e bagagem cultural, Dudu prestou serviços para empresários como Delfim Neto, Armando Conde e Maurício Sirotsty Sobrinho, além de artistas como Di Cavalcanti, entre outros. Apaixonado por música, gostava de curtir Billy Holiday, Nana Caymmi, Madonna.
Na década de 70, escolheu a comunidade do Pântano do Sul para morar. Foi lá, no Sul da Ilha, que conquistou o respeito e o afeto dos moradores locais. Alegre e sempre disposto a ajudar as pessoas, foi quase um desbravador da Costa de Dentro, onde residiu por quase 30 anos. Ali, batalhou por melhor infra-estrutura local e conseguiu levar água, luz, entre outros benefícios à comunidade. Cozinheiro de mão cheia, freqüentou a cozinha do seu Arantes; da Zenaide; do Zenildo e da comadre Conceição; e de tantos outros bares e restaurantes do Pântano do Sul. Festeiro, foi destaque no Carnaval de 2000, evento que atraiu cerca de 8 mil foliões. No bloco “As Bonecas”, ganhou o prêmio de melhor fantasia, alegoria criada pelo amigo e jornalista Renato Shebela, também morador da Costa de Dentro, no Pântano do Sul.
Além do Pântano, circulava por Coqueiros, especialmente na casa da família Goulart, onde mantinha um grande amor por esta jornalista e seus filhos Mariana e Marquinhos, que viu nascer na década de 80. Foi ele, com certeza, o grande incentivador da carreira do artista plástico Silvino Barão Goulart, também diretor da Folha de Coqueiros, e de Mariana, que se formou em Moda depois de passar a infância vestindo bonecas com roupas criadas por ela e Dudu.
Ainda em Coqueiros fez grandes amizades como o Toninho Gente Fina, da Padaria Princezinha, o Maninho, do antigo bar Vento Sul, o Lázaro e a Estela, ex-moradores do Argus, o Peri e a Tereza, de Itaguaçu, o Jaime Renato, e tantos outros.
Nos últimos anos, estava morando na Praia dos Ingleses e, atualmente, em Ibiraquera, na Praia do Rosa, em Imbituba. Graças ao amigo Arantinho, Dudu foi sepultado no Cemitério do Pântano do Sul, conforme seu último desejo.
Jornalista

Dos Açores a Florianópolis
Chico Amante

A Manezada da Ilha se engalanou no último mês de novembro para receber a visita de um casal amigo da Ilha das Flores: o Armando e a Regina Meireles, que vieram sob os auspícios do Governo Regional dos Açores, através da Direção Regional das Comunidades.
Foi uma semanada típica da açorianidade que brota nos corações dos moradores de Florianópolis, em especial os das comunidades de Santo Antônio de Lisboa, Sambaqui, Pântano do Sul e Ribeirão da Ilha, além daqueles que cultuam as origens, costumes e as tradições açorianas em nossa Ilha.
O roteiro traçado pelos anfitriões incluiu visitas protocolares – como à Assembléia Legislativa, Câmara de Vereadores, Academia Destherrense de Letras, Casa dos Açores, etc, assim como homenagens e solenidades em diversos locais da Ilha. Também incluiu passeios pelo Centro Histórico da cidade, em especial o Mercado Público Aldírio Simões, e as praias e localidades onde pontificam as semelhanças com o Arquipélago.
Também estiveram na cidade de Penha, Norte do Estado, a convite de Renato Amorim, próspero hoteleiro daquele balneário, e que há muitos anos cultiva a amizade com o povo açoriano e em especial o casal visitante.
A Regina realizou um sonho acalentado desde a mais tenra idade, que era o de conhecer a “10ª Ilha”, resultante da história de sua avó que deixou sua terra natal para residir na localidade de Sambaqui, isto há muitos e muitos anos. Também recebeu das mãos do Sione, filho do saudoso Aldírio Simões, o Troféu Manezinho da Ilha, na qualidade de Honorária, conferido pelo jornalista nos idos de 2004.
Quando das entrevistas que concedeu à Rádio Guarujá e à TV Câmara, ela pode externar toda a sua emoção e todo o seu fascínio pela Ilha de Santa Catarina, além de externar sua imensa alegria por ter realizado este sonho.
O Armando Meireles também sempre nutriu este desejo, face aos inúmeros manezinhos que visitaram a Ilha das Flores há muitos anos, e lá narravam as íntimas afinidades que nos ligam àquele povo e à pátria lusitana.
Foi um típico encontro de irmãos, uma confraternização que durou cerca de 10 dias, e que serviu para estreitar ainda mais os laços que prendem o povo daqui com os irmãos de além-mar. Sendo louvável a iniciativa da Direção Regional das Comunidades, este trabalho de estreitamento dessas relações.
Escritor
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