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Cevahumos - Dezoito anos de doação
Luiz Eduardo Schmitt

No último dia 15 de maio, o Centro de Valorização Humana Moral e Social (Cevahumos) completou 18 anos de atividade com festa para mais de 100 pessoas em uma das fazendas de tratamento para dependentes químicos em Angelina, no caminho para a serra catarinense. A entidade, criada pelo obstinado coronel Valmor Raimundo Machado, já recebeu mais de dois mil jovens, além de agregar o projeto Família Saudável, que cuida de 120 crianças carentes no bairro Abraão.

Depois de conviver por mais de 30 anos com dependentes químicos na Polícia Militar, hoje coronel Valmor colhe os frutos de uma iniciativa ousada, que exigiu, acima de tudo, doação pessoal. Nas três fazendas de recuperação, cerca de 90% dos 80 jovens “internados” tentam largar o vício do crack. O tratamento é oferecido de forma gratuita ou voluntária, ou seja, a ajuda financeira é facultada a quem possui mais condições. O tempo médio de permanência é de seis a nove meses. Lá, o trabalho na roça e na limpeza é responsabilidade de todos os ocupantes.

Valmor divide o tempo disponível entre as fazendas e o projeto no Abraão, que por sua vez completa 11 anos. Um prédio simples, mas que faz a diferença na hora de educar as crianças para se afastarem das ruas e das drogas. São jovens geralmente das comunidades da Vila Aparecida e do condomínio Via Expressa, que participam de aulas de capoeira, dança, artes e outras atividades no contra turno escolar. Dez educadores fazem o trabalho virar realidade na Família Saudável, sustentado com apoio da prefeitura municipal.

São crianças que passam quase o dia inteiro fora de casa e, às vezes, precisam de um colo materno. Necessidade suprida pelas educadoras da casa. “Me sinto uma mãezona aqui”, diz Beatriz Campos de Oliveira, 37 anos, rodeada pelos pequenos, enquanto assistem a um filme, bem comportados. “Aqui a gente mostra um caminho para eles. Resgata a dignidade”, completa o coronel, orgulhoso.

Os projetos do coronel Valmor são pioneiros em Santa Catarina. Ao olhar para trás, ele desabafa. Garante que não tem dinheiro no mundo que pague salvar a vida de uma pessoa e conseqüentemente de uma família. “As famílias têm muita gratidão pela gente”, reconhece o coronel aposentado, considerado um verdadeiro ídolo para as pessoas que se recuperaram da dependência química. Aos 71 anos, Valmor garante que não vai parar tão cedo. “Isso é irreversível”, conclui.

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