Edição 129
FOTOS DIVULGAÇÃO  NO PARQUE: evento reuniu disputa de lanchas e desfile de canoas  ESTRUTURA: apesar da chuva, público prestigiou a competição Por Cesar Eugênio Dias Uma competição como nunca se viu. Assim resumiu a maioria dos freqüentadores do Parque de Coqueiros que prestigiaram a 1ª etapa do GP Floripa Brasil de Motonáutica, disputado entre os dias 27 e 28 de março na raia montada praticamente colada à pista do parque. Para os torcedores mais fanáticos, uma arquibancada garantiu um verdadeiro camarote com vista privilegiada. E o final de semana, que começou com tempo chuvoso e sem vento, garantindo um mar lisinho para a tomada dos tempos e as primeiras baterias no sábado, deu lugar ao sol forte no domingo e, na hora do melhor da festa, não faltou mais nada. O evento, organizado pela Secretária do Continente, ainda fazia parte das comemorações pelo aniversário da cidade e reuniu também uma exposição náutica com os principais lançamentos dos estaleiros catarinenses além de uma exposição de canoas a vela esculpidas em um único tronco que foram, por muito tempo, o principal meio de subsistência das populações litorâneas de Santa Catarina. “Queremos realizar um evento que aproveitasse todas as riquezas naturais da nossa cidade, resgatando nossa cultura como as rendeiras e canoas da Costa da Lagoa e a aproximação natural com os esportes náuticos. Para os próximos anos vamos inovar ainda mais, esse evento já entrou para o calendário de Florianópolis”, declarou o secretário Deglaber Goulart, titular da pasta. A PROVA – Na água as sete lanchas inscritas para a disputa, divididas entre as categorias Turismo Stock e Força Livre, deram um show a parte. Com 150hp de potência e velocidades que atingem fácil os 140km/h, a turismo stock foi a que reuniu o maior número de competidores com seis lanchas. “São barcos que andam na média de 100 a 120 km/h, controlar uma potência dessas na superfície do mar exige muita perícia dos pilotos”, explicou o paulista Marcelo Nigro que também rasgou elogios a raia montada em Coqueiros. “É uma das melhores raias que conheço e a proximidade com o público é sensacional.” Mas a alegria de Nigro terminou aqui, na água o paulista acabou na 3ª colocação e apenas assistiu o domínio da equipe Antares Comunicação e seus dois pilotos, o paulista radicado em Florianópolis Marcelo Foloni e o catarinense Jackson Herzmann, que duelaram pela primeira posição volta após volta durante os dois dias de competição. Na somatória dos tempos, a vitória ficou com Foloni que mesmo suando em bicas dentro do seu macacão de competição se desmanchou em elogios ao evento. “A condição do mar estava excelente, sem vento e sem ondas. É a situação perfeita para tirar todo rendimento desses barcos”, elogiou o vencedor que já passou pelo kart e motocross antes de se dedicar à motonáutica. Depois da velocidade das lanchas foi a vez de um “desfile” das canoas a vela que vieram da costa da lagoa especialmente para o evento. Esculpidas em um único tronco de Guarapuvú – árvore símbolo do município e hoje protegida por lei, essas embarcações são tratadas como verdadeiras relíquias pelos seus proprietários. “São barcos muito antigos, uma dessas canoas que estão aqui tem mais de 100 anos, outras tem em média 50 anos e estão todas em perfeitas condições. Essas canoas são passadas de pai pra filho, estão na mesma família há 3 ou 4 gerações”, explicou Jackie Goulart, presidente da Associação de Canoas a Vela da Costa da Lagoa. “Nossa idéia era trazer mais barcos e fazer uma regata mais competitiva, mas mesmo assim vamos dar um passeio velejando. O negócio é se divertir”, completou. Para Adriano Stoeterau, gerente de esportes da Secretaria do Continente e um dos principais organizadores do GP Floripa Brasil de Motonáutica, a soma de todas essas participações fez a diferença. “O evento foi um sucesso que se deve ao esforço da secretaria. A participação dos pilotos que trouxeram suas lanchas, o pessoal da canoa a vela que proporcionou um resgate da nossa historia e a participação do público foi maravilhosa.” Maravilhado também estava o senhor Rubens Gomes de Almeida de 82 anos, morador “nascido e criado em Coqueiros”, que não desgrudou os olhos das competições. “Vi esse bairro crescer, costumava pescar camarão pra isca onde hoje fica o parque. Essa corrida de barcos é excelente, deu saudades de ver uma canoa a vela no mar. Espero que ano que vem tenha mais”. |