Edição 133
FOTO MÁRCIA QUARTIERO  DESCASO: poesias grafadas nos bancos da Praia do Bom Abrigo são apagadas. Secretaria do Continente revitaliza o balneário e manda pintar os equipamentos de azul. Por Maura Soares* Faz tempo que não compareço a este jornal, porta-voz dos nossos bairros. Em primeiro lugar agradecendo todo o tempo em que mantive uma coluna - Cultura - neste jornal em que colocava a biografia e a poesia de um autor catarinense e outras notas relacionadas à literatura e artes. Pois bem, cá estou de volta, em nome do Grupo de Poetas Livres, com um projeto apresentado à direção do Folha que sempre nos acolheu com carinho. O referido Projeto "Aqui Tem Poesia" é um espaço que visa revelar aqueles poetas da comunidade que têm suas obras guardadas em caixas, gavetas e, tímidos, não trazem à lume. Os poetas do Grupo terão sua vez, mas a comunidade, também. Pois bem, esta é a oportunidade que a Folha dá a todos os leitores. Outra coisa que não posso deixar de opinar. Concordo com o leitor José Rui Cabral Soares, que não é meu parente, mas da Dey Soares, nossa amiga da Associação Coral de Florianópolis. O que há no Continente é um perfeito descaso para com as coisas construídas. Caminho pela orla até a Praia do Meio e a dificuldade nas calçadas esburacadas, mal acabadas, com os caimentos para cadeirantes, vergonhosos. Defronte ao antigo Condomínio Itaguaçu, para se atravessar a rua, há o caimento de um lado, mas não há de outro, então se pisa na grama do belo condomínio defronte. A murada do deck do Bom Abrigo simplesmente desapareceu, um perigo só. Caminho pelas três praias Bom Abrigo, Palmeiras e Itaguaçu com um cuidado extremo, pois as ripas dos decks estão quebradas, podres, a vegetação à época da reurbanização, que deve ter custado muito aos cofres públicos, pois noto plantas exóticas, simplesmente desapareceram nos matos. Por serem exóticas merecem cuidados dobrados. Me lembrei daquela musiquinha da infância "o mato cresceu ao redor". E assim está o nosso lado continental: calçadas malcuidadas, praias abandonadas (só a plaquinha de preserve, não adianta, crianças), parquinhos com brinquedos perigosos e os bancos com poesia- ah- nestes não toco mais no assunto, pois para mim aquele projeto do Grupo de Poetas Livres, "is dead". Cultura faz quem tem. Infelizmente poesia não vende, como diz o poeta Rodrigo Capella. *Presidente do Grupo de Poetas Livres |