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Natureza agredida
 
Edição 139

FOTOS GERSON SCHIRMER

PERIGO: apesar de imprópria, placa admite o banho de mar em Itaguaçu

Por Sibyla Loureiro

Mais um Verão chega ao fim e a poluição das praias da região de Coqueiros continua sem solução. Embora os bairros de Coqueiros, Itaguaçu e Bom Abrigo tenham sistema de esgoto sanitário desde a década de 80, o mar ainda é o destino final de muita sujeira jogada por estabelecimentos comerciais e residências que não estão ligados na rede.   Em conseqüência, moradores se queixam do mau cheiro na orla do bairro, especialmente nos locais onde encontram-se as quatro estações elevatórias: uma na Praia do Bom Abrigo; outra na Praia de Itaguaçu; a terceira na Praia do Meio; e a última ao lado do Parque de Coqueiros, no antigo almoxarifado da Casan, onde será construído o Posto de Saúde. 

“Tem um período da tarde, bem em frente à Rua Fritz Muller, na Praia do Meio, que escorre uma água de máquina de lavar roupa direto para o mar”, denuncia o aposentado José Rui Cabral, que caminha diariamente à beira-mar. “O cheiro é tão horrível que parece uma fossa gigante”, dispara o também aposentado Olavo Carneiro da Cunha Brito, o conhecido Biba, referindo-se ao canto direito da Praia da Saudade, próximo à Ilha de Coqueiros.

Já na Praia de Itaguaçu, um dos problemas se concentra numa espécie de riozinho em frente à Rua Capitão Savas. “Antigamente, a água do local era limpa. Hoje, se der uma chuva e a gente esfregar a mão na areia, exala dos dedos um cheiro forte de esgoto, não de fezes, mas de água de cozinha”, acusa Carneiro.

Exemplos como estes se espalham na região, principalmente dos moradores que costumam se exercitar na orla e dos mais antigos como é o caso de José Rui e Olavo Carneiro. “Existe uma diferença de morar em Coqueiros e viver em Coqueiros. Nós vivemos em Coqueiros: compramos na padaria, vamos à academia, conversamos com os amigos, abastecemos o carro. Tem gente, ao contrário, que “dorme” aqui, chega 8h da noite e sai às 6h da manhã. Então, presenciamos muita coisa”, explicam.

Para o aposentado José Rui, pode-se apontar dois componentes básicos que provocam a poluição em Coqueiros. O primeiro é o próprio crescimento imobiliário, fato que demanda mais serviço de água e esgoto e recolhimento de lixo. E nem todos os imóveis estão ligados na rede. “Isto é culpa nossa”, dispara, ao afirmar que o segundo  item é de responsabilidade da Casan.

“Temos uma rede coletora na região com estações elevatórias em Itaguaçu, na Praia do Meio, Bom Abrigo e ao lado do Parque. Os detritos das residências são depositados nestas estações que, por sua vez, possuem bombas que jogam o esgoto para estação de tratamento de Potecas, em São José. No entanto, quando a bomba de recalque estoura- ao invés de chamar um caminhão limpa-fossa-, a Casan joga todo o esgoto coletado no mar”, denuncia José Rui.

“Certa vez em Itaguaçu, ao lado do Bar das Pedras, o pessoal se revoltou e colocou cimento na estação porque era impossível passar por ali por causa do cheiro”, diz Olavo.

Para eles, a solução seria fazer uma campanha maciça de conscientização para os moradores ligarem o esgoto na rede coletora. Afinal, a taxa está sendo cobrada de qualquer jeito. Além de fiscalizar as residências, a outra medida seria a Casan parar de jogar esgoto no mar quando a bomba estraga. “Como é orgânica e não industrial, a poluição é facilmente tratada. Basta ver a quantidade de peixes que ainda temos aqui. Tartaruga em Itaguaçu e camarão na Praia do Meio”, argumentam.

Para o empresário Tony De Franceschi, que há 20 anos mantém a Escola Teddy Bear no bairro, o problema é uma mescla de vários fatores. Além do fator legal – já que não existe lei que obrigue as pessoas a ligarem seus esgotos na rede - e a diferença de culturas entre os mais antigos e os novos moradores, há uma inversão no setor de planejamento da cidade. “Antes de construir prédios, é necessário dotar o bairro de infra-estrutura como água, esgoto e trânsito. Não sou contra o crescimento, mas ele deve ser sustentável”, pondera Tony.

FISCALIZAÇÃO - De acordo com o secretário da Habitação e Saneamento Ambiental, Átila Rocha dos Santos, a prefeitura está fazendo um trabalho de fiscalização nas residências e comércio. Segundo ele, só no ano passado a Vigilância Sanitária fez 37 mil e 800 autuações no município. 
   

BALNEABILIDADE
Praia da Saudade - imprópria
Praia das Palmeiras – imprópria
Bom Abrigo – imprópria- desde 2002
Itaguaçu – imprópria
Praia do Meio – imprópria
Praia do Rizzo (não está incluída no relatório)
Fonte: Fundação do Meio Ambiente (Fatma)
Relatório de 18/02/2011.


OLAVO E JOSÉ RUI: Praia da Saudade era ponto de encontro no Verão

Nos tempos do Praia Clube

José Rui Cabral e Olavo Carneiro viveram a época áurea de Coqueiros e recordam, com nostalgia, dos tempos em que a Praia da Saudade era chamada a Copacabana de

Florianópolis. “Na década de 50 e 60 foi o ponto de encontro da cidade no Verão, principalmente no Praia Clube, depois incorporado pelo Clube Doze como sede balneária. Não se freqüentava as praias do interior da ilha, quando muito a Lagoa da Conceição.  As outras eram desertas, só habitadas pelos manezinhos”, aponta José Rui, que veio morar no bairro com 18 dias.

“Canasvieiras era um fim de mundo”, completa o amigo Olavo, ao destacar o perfil urbano da região. “Todas estas casas que hoje são comércio na orla de Coqueiros, eram casas de veraneio. Lembro que quando terminavam as aulas no final de novembro, era época da chegada dos caminhões de mudança em Itaguaçu. As famílias da Ilha vinham veranear aqui e traziam guarda-roupas, camas, fogão”, diz Olavo.

Fora os banhos de mar, José Rui e Olavo gostavam de pescar Cocoroca e comer ostra. “A gente abria as ostras com uma pedra, lavava com a água do mar e saboreava ali mesmo”, revela José Rui. As festas também marcaram a trajetória desta dupla apaixonada por Coqueiros. Olavo, morador da Praia de Itaguaçu há 64 anos, diz que a Festa de Nossa Senhora dos Navegantes era um grande acontecimento.

“Nestas quatro praias- Saudade- do Meio- Itaguaçu e Bom Abrigo- acontecia de tudo”, diz José Rui, 57, morador da Praia do Meio, destacando as competições de natação que agitavam Coqueiros no Verão. A primeira envolvia um percurso de 3 mil metros entre o Miramar, no centro de Florianópolis, até a Praia da Saudade. “Ao lado do trampolim, havia um portal escrito Chegada. O primeiro a vencer a prova, arrancava a fita”, destaca Olavo, um dos atletas.  Nadador desde os 16 anos, Olavo foi o primeiro catarinense a atravessar o Lago de Brasília e, ao longo da caminhada esportiva, fez diversas travessias em Santa Catarina e outros estados brasileiros.

Com a poluição do mar, o foco para as praias do interior da Ilha e implantação de piscinas, a competição foi caindo em desuso. A prova durou cerca de 15 anos e parou por volta de 1978. Com a instalação da Estação de Tratamento de Esgoto da Casan, no aterro da Baía Sul, em 1997, a prova retornou, um ano depois, homenageando o nadador Hélio Lange, o popular Paru. Batizada de Travessia do Paru de Natação, o evento, em sua terceira edição, em 2000, foi incluído no calendário do Circuito Brasileiro de Águas Abertas.

“Mesmo melhorando a qualidade da água, o pessoal de fora, que estava acostumado a nadar em águas mais limpas, passou a competir em Jurerê internacional, em frente ao Clube Doze, para onde foi transferida a travessia”, diz Olavo.

 

Esgoto é jogado no mar

FOTOS GERSON SCHIRMER
  

WILSON E ALBERTO: sujeira acabou com o berbigão
                       
Em 1969, a ocupação territorial por residências no bairro Abraão não ultrapassava a 20%. O restante eram ruas, servidões, mata virgem e mangues. Hoje, ao contrário, existem somente 5% de área livre, e o que restou está ocupado por 41 condomínios, totalizando 85 blocos com 1.378 apartamentos. Se contabilizada a média de três moradores por apartamento, chega-se ao total aproximado de 5 mil moradores residindo em prédios, sem considerar as mais de mil casas. O cálculo foi feito pela Associação de Moradores do Bairro Abraão (AMBA) para justificar as dezenas de ofícios enviados aos órgãos públicos solicitando, com urgência, a implantação da rede de esgoto sanitário no bairro. 

“Infelizmente, o crescimento desordenado fez com que se chegasse a esta situação. Sem esquecer que muitos prédios ainda estão sendo erguidos no bairro e, para nossa surpresa, a Prefeitura de Florianópolis, ciente dos problemas, libera licença para novas construções, contribuindo cada vez mais com a degradação do Meio Ambiente”, lamenta o vice-presidente da AMBA Paulo Rodrigues.

De acordo com ele, a situação do local é preocupante, já que o esgoto de todas as residências desemboca em quatro saídas no mar. Só para exemplificar, ao lado da creche Dona Cota, que mantém 140 crianças de até 5 anos de idade, corre uma vala que carrega, até a praia, dejetos vindos dos bairros Capoeiras, Vila Aparecida e Abraão. Ali, se proliferam mosquitos, baratas e ratos. Como se não bastasse, a Comcap há muito esqueceu de limpar as ruas transversais do Abraão e o mato cresce à revelia.

O resultado da falta de saneamento não poderia ser outro: mau cheiro nas ruas e escassez de peixes. “Maior berbigão era daqui. Muitas famílias criaram os filhos com a pesca do berbigão. Hoje, eles não existem mais”, protestam os moradores Wilson Ari Dutra, 60 anos, e Alberto Mendonça Elíbio, o Simpatia.

A jornalista Vera Maria, que reside há 13 anos no Abraão, diz que o cheiro nas vias é mais intenso quando chove e no período noturno. “Tenho que tapar os ralos do tanque e da pia da cozinha quando chego do trabalho à noite”, revela Vera Maria, que mora na Rua Miguel Sales Cavalcante.  Ao lado da Joaquim Fernandes de Oliveira, são as vias que exalam mais odor de esgoto.

Algumas residências e prédios das duas ruas, inclusive, foram recém autuados pela Vigilância Sanitária. Só na Joaquim Fernandes foram 12 casas notificadas. O teste provou que a sujeira das caixas de gordura e o volume de água de tanques estavam sendo despejados direto no mar. O correto seria escoar nas fossas instaladas nos pátios das casas. “Em ofício enviado à Procuradoria do Meio Ambiente, a AMBA se manifesta contrária às notificações e acredita ser de responsabilidade da prefeitura as despesas com a limpeza das fossas sépticas e de gordura. “Se o bairro não tem rede de esgoto, então o problema é geral. Não podemos tratar, portanto, de fatos isolados”, defende.  

RUAS ATENDIDAS

ABRAÃO
Rua Videira
Rua Leonel Dutra
Servidão Bom Jesus de Iguare
Servidão José Amaro Ouriques
Rua João Meireles
Rua Fernando Ferreira de Melo
Rua Manoel Felix Cardoso
Rua Prof. Otília Costa
Rua Médico Miguel Salles
Avenida Patrício Caldeira de Andrade
Rua Procópio Ferreira
Rua Silvio Possobon
Rua Joaquim Francisco de Oliveira
Rua Prof. Rosinha Campos
Rua Herício de Aquino
Rua Mário Cândido da Silva
Rua Pedro de Andrade Garcia
Travessa João Acelino de Senna
Rua Daniel Marcelino
Rua Luis Gonzaga Lamego
Servidão Altamiro Rodrigo dos Santos
Rua Bias Peixoto
Rua José Joaquim de Santana
Rua da Fonte
Rua Campolino Alves
Rua Joaquim Carneiro
Rua Edson Lopes da Silva

VILA APARECIDA
Rua Edison Lopes da Silva
Rua São Cristóvão
Rua Pascoal Simone
Rua Paula Ramos
Rua Manoel Ezidoro Araújo
Rua Costa 
Rua Nossa Senhora do Carmo
Rua Renacence
Rua Dois
Servidão Cinco
Servidão Paloma Rosa de Lima
Servidão Osvaldo Veber
Rua da Fonte
Várias ruas/servidões sem nome

FONTE: Secretaria Municipal do Continente


KRIEGER: engenheiro mostra os bairros que serão atendidos

“Obras começam em novembro”

Depois de quase 30 anos de espera, o projeto da rede de esgoto do bairro Abraão finalmente vai sair do papel. As obras, que incluem também os bairros Capoeiras, Vila Aparecida e parte do Monte Cristo, devem iniciar em novembro e, de acordo com o cronograma da Casan, o sistema estará concluído no final de 2013. A informação é do diretor técnico da Companhia, engenheiro Fábio Krieger, em entrevista à Folha de Coqueiros.

Folha de Coqueiros – Quando será implantada a rede de esgoto?
Fábio Krieger - Em dezembro do ano passado, a Caixa Econômica Federal recebeu autorização do Ministério das Cidades e pediu à Casan a entrega do projeto. Em junho encerra o prazo de análise.  A partir daí, a Caixa encaminha a aprovação para o Ministério e até setembro deve-se assinar o contrato de financiamento. Então, em julho, já com a aprovação da Caixa Econômica, vamos preparar a licitação das obras. O que significa que mais para o final do ano, em novembro, seja assinado o contrato de obras. O mais difícil era o dinheiro, e este já foi aprovado que são R$ 13 milhões.

Folha de Coqueiros - Como vai funcionar o sistema?
Fábio Krieger – A extensão total da rede é de 34 quilômetros, ou seja, tubulações de esgoto em cada rua atendida. É colocada uma caixa na calçada da casa para ligar o esgoto da cozinha, do banheiro e da lavanderia, que normalmente está ligado na fossa. O sistema prevê quatro estações elevatórias: uma no Abraão, outra em Capoeiras, uma terceira na Vila Aparecida e a última no Monte Cristo.  O esgoto coletado será encaminhado até a Estação de Tratamento de Esgotos da Casan no bairro Potecas, no município de São José.

Folha de Coqueiros – Quando entra em operação?
Fábio Krieger - São dois anos de obra. Isto significa transtorno para os bairros, especialmente Capoeiras e Abraão, que têm muito trânsito.  Calculo que no final de 2013, o projeto esteja todo concluído.
 
Folha de Coqueiros - Qual a população atendida?
Fábio Krieger – Cerca de 17 mil habitantes, entre os quatro bairros, mas o sistema tem condições de atender até 47 mil pessoas.

Folha de Coqueiros – Os moradores terão alguma despesa?
Fábio Krieger - Daqui dois anos, quando o sistema entrar em operação, será cobrada taxa de esgoto, que é de 100% do consumo de água. Se a pessoa gastar R$ 25,00 de água, vai pagar mais R$ 25,00 de esgoto. 

Folha de Coqueiros – Estão previstas campanhas de orientação?
Fábio Krieger - O Ministério exige que 1% da obra seja investido em trabalho sócio-ambiental, ou seja, contratar empresa com assistentes sociais para antes e durante a execução da obra, e dois meses depois de concluída explicar como deve ser feita a ligação e os benefícios que os moradores terão: como a despoluição da Praia do Abraão, por exemplo.

Folha de Coqueiros – Em se tratando de Coqueiros, qual a causa da poluição das praias se desde a década de 80 funciona a rede coletora na região?
Fábio Krieger – O problema é que os moradores não estão ligando seu esgoto na rede. Tem muita gente que está pagando e não usa o sistema. Muitas vezes pelo investimento, já que tem que contratar encanador, pagar pedreiro, etc. Além disso, ainda têm aqueles que estão com ligações erradas como, por exemplo, o pessoal que ao invés de ligar apenas a cozinha, o banheiro e a lavanderia, põe a garagem, a água do telhado, e vai tudo para o esgoto. Então, quando dá uma chuvarada, as estações elevatórias não dão conta e transbordam. Vai tudo embora mesmo, porque o sistema não é projetado para isto. Daí vem o cheiro de esgoto misturado com água da chuva. O certo seria ligar apenas o previsto para não estragar todo o projeto.

Folha de Coqueiros- Quantas residências estão ligadas à rede e quantas ainda faltam fazer a ligação?
Fábio Krieger - Não se sabe. Teremos um raio x da situação a partir do Projeto Cidade Limpa, que será lançado junto com a prefeitura (*).  Consiste na vistoria de todos os bairros - que tem rede em Florianópolis - para cobrar a ligação correta. Quem não tiver, será notificado pela Vigilância Sanitária e terá um prazo de 30 dias para se adequar. E quem não cumprir, vai se incomodar.

(*) Convênio foi assinado dia 21, na prefeitura, durante o lançamento do Plano Municipal de Saneamento Básico. 



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