capa do mês
clique aqui ou na imagem
para ampliar
   
     
 
 
página inicial  
 
versão impressa  
 
Folha amarela  
 
Leitor  
 
Gente  
 
Editorial  
 
Mural  
 
Márcia Quartiero  
 
Geral  
 
Saúde  
 
Moda  
 
Mesa Farta  
 
Cartas  
 
Cultura  
 
Esporte  
 
Turismo  
 
Edições anteriores  
 
Onde Encontrar  
 
versão on-line  
 
Dica de Saúde  
 
Eventos  
 
Notícias  
 
Saúde Bucal  
 
Associação de moradores  
 
Quem somos  
 
 
 
Amor à primeira vista
 
Por Sibyla Loureiro

FOTOS GERSON SCHIRMER

FAMÍLIA: Zilda e Nery Carriço com os filhos Carlos  e Ana Lúcia


LEMBRANÇA:  o marinheiro e a secretária na juventude

Se uma das receitas para alcançar a longevidade é preservar os amigos e manter a vida social, um bom exemplo é do aposentado  Nery Carriço, 84.  Ex-combatente da Marinha do Brasil, ele segue a mesma rotina há 45 anos.  Todas as tardes, seu Nery assina o ponto no Senadinho Café Ponto Chic- tradicional cafeteria do centro de Florianópolis- para bater-papo com a turma da Marinha. Dali, depois de colocar a conversa em dia, ele retorna para casa no bairro de Coqueiros, pontualmente às 18h. A preferência lhe rendeu, até mesmo, o título de Senador e um diploma que o aposentado guarda com muito carinho. “No passado, antes da Felipe Schmidt se tornar um calçadão, o local servia de passarela para moços e moças se olharem durante o footing”, recorda seu Nery.

Além do Senadinho e dos passeios a pé, a rua lhe traz outras lembranças. Em 1948, ele conheceu dona Zilda Pereira Carriço, sua esposa, 82 anos. Na época, ela trabalhava no escritório da empresa A Exposição, loja de tecidos e roupas prontas que dispunha de quatro portas, em frente à rua, para receber a clientela. Por sua vez, Nery transitava diariamente na mesma via para visitar a avó e trocar a farda.  

“Minha colega Lita me chamou a atenção para a presença de um marinheiro bonito que circulava, final de tarde, na Felipe Schmidt. Um dia resolvi olhar para o tal marinheiro pelo vão das quatro portas. No mesmo dia, ele me enviou um bilhete pelo amigo Gilberto Nahas*, quando eu estava a caminho de casa- na Rua Pedro Soares. Na mensagem, Carriço me convidava para ir ao cinema. Prontamente, pedi ao seu colega que lhe transmitisse um recado: diga a ele que não vou ao cinema, mas estarei nas barracas da Festa de Santo Antônio”, relata dona Zilda, lembrando que a data – 13 de junho – homenageava o conhecido santo casamenteiro.

A partir daí, não se separaram mais. “Rompi com meu namorado de três anos- o sargento gaúcho da aeronáutica, Alberto Gilberto Salomoni*, depois que selei compromisso com Nery”, conta dona Zilda. Casaram em 5 de março de 1949 na casa da mãe de Nery, Maria José da Rosa Carriço, na Praia Comprida, em São José. O casal – ele com 22 anos e ela com 20- morou com a sogra até Nery ser promovido a cabo. “Na certidão de casamento, ao invés de marinheiro- fui obrigado a trocar a profissão por comerciário. Na época, éramos proibidos de casar e até estudar”, conta.

Após a promoção, foram morar em uma casa mobiliada na Vila Naval, próxima ao estádio do Figueirense, no bairro Estreito. Em 1952, no entanto, Nery teve que se afastar da família depois de escalado para embarque no rebocador Tridente, navio socorro da Marinha, que alternava viagens de três meses entre Rio Grande e Recife. Foram três anos entre o mar e a terra. “Minha filha Lúcia Helena, recém-nascida, não me conheceu na volta da viagem. Para ela, o pai era o tio Nilton Pereira – irmão de Zilda, hoje promotor de Justiça aposentado”, comenta Nery.

Situação semelhante aconteceu com o filho mais velho Pedro Paulo. Segundo dona Zilda, o primogênito – que nasceu no dia de São Pedro e São Paulo – costumava chorar depois que os colegas zombavam dele ao afirmar que o menino não tinha pai. Até que nas férias de dezembro, a brincadeira acabou. “Pedro Paulo me puxou pelo braço e me levou até os amigos repetindo: este é o meu pai”, acrescenta, sorrindo, o aposentado.

EM COQUEIROS – Em 1961, outra viagem. Desta vez, acompanhado de dona Zilda e os quatro filhos – Pedro Paulo, Vera Lúcia, Lúcia Helena e Nery Filho. A família embarcou para o Rio de Janeiro onde, na cidade carioca, seu Nery participaria de um curso de aperfeiçoamento na Marinha. O objetivo era ser promovido a Primeiro-tenente para ingressar na reserva. Durante a estadia, que levou três anos, a família engordou: nasceram Ana Lúcia e o caçula Carlos, o popular Carriço.

Alguns anos depois, já reformado como Primeiro-tenente, veio morar no Bom Abrigo enquanto as obras do Condomínio Itaguaçu, próximo à AABB, não estavam concluídas. “Comprei o apartamento na planta em 1971 e, em 1973, o prédio era inaugurado. Fomos um dos primeiros moradores do empreendimento que, depois do Edifício Normandie, na Praia da Saudade, e o Gaivotas, no bairro Itaguaçu, é o terceiro prédio mais antigo da região de Coqueiros”, contabiliza seu Nery.

Ali, a família reside há 38 anos e guarda na memória, em objetos e fotos lembranças do ainda pacato bairro de Coqueiros. “O ônibus que vinha do centro só chegava até o topo da Rua João Meireles, proximidades da Rua Raimundo Bridon. No local, o motorista perguntava se algum passageiro tinha como destino o Bom Abrigo. Do contrário, retornava para a Ilha. O bairro Abraão era um deserto, só tinha a colônia de pesca e algumas residências”, aponta dona Zilda.

Aos 61 anos de casados, seis filhos, oito netos e sete bisnetos, o casal também conserva na memória os bons tempos do balneário. “Um dos passatempos preferidos eram os banhos de mar na Praia do Meio e na Praia da Saudade”, acrescenta Zilda. Considerada um pé de valsa desde solteira, ela não esquece ainda dos bailes que a dupla freqüentava nos clubes Doze, Lira, Paula Ramos e 1º de Junho. “Hoje, por problemas na coluna, estou afastada das pistas de dança, mas continuo fazendo tricô, uma paixão antiga”, revela Zilda.

De São José para o mar

Nery Carriço resolveu ingressar na Marinha aos 16 anos. Prestou concurso na Escola de Aprendizes de Marinheiro, onde hoje funciona a sede da Guarda Municipal, antigo Portal Turístico, na década de 1940. Aprovado, deixou a tranqüila Praia Comprida, em São José, para enfrentar as ameaças do mar. “Peguei, em 7 de janeiro de 1943, com outros marinheiros, o navio Carlos Hoepcke com destino a Angra dos Reis”, lembra Nery, afirmando, no entanto, que nem tudo foi tão fácil. A mãe – Maria José da Rosa Carriço, temerosa com a Segunda Guerra Mundial, resistiu em assinar a permissão para o filho. “Tu vais, mas tu voltas”, disse a Nery em tom de preocupação.

Ela se fundamentava no gosto exigente do filho para comer. Afinal, era tratado com bife, batatas fritas e sequer gostava de peixe. “E foi justamente esta frase que não me deixou voltar 15 dias depois, no tal Dia do Arrependimento”, comemora Nery, que embarcou com a autorização do pai, Magno Alves Carriço.

O litoral carioca foi o primeiro de muitos destinos que Nery percorreria a bordo de um navio. Entre eles, o Corveta Felipe Camarão que fazia comboio do Rio Grande do Sul até o Rio de Janeiro, durante a guerra.                 

Aos 39 anos, com 23 anos de serviço, passou para a reserva.  Na bagagem, um ano e sete meses de guerra, 300 horas de mar- o que lhe rendeu medalha com três estrelas- e a boina verde de relíquia.  Além de ex-combatente da Marinha de Guerra, seu Nery trabalhou durante 20 anos na empresa Koesa, de Florianópolis. Hoje, divide seu tempo entre caminhadas ao Parque de Coqueiros, bate-papo com amigos no Ponto Chic, a numerosa família, dois cachorros da raça Pinscher, e os cães adotados pelo filho Carriço.
   
*Alberto Gilberto Salomoni – piloto da Varig morto em 1962 em acidente num Boing em Lima, no Peru.
* Gilberto Nahas, ex-árbitro de futebol, jornalista e presidente da Associação dos Ex-Combatentes de Santa Catarina. Morreu em 6 de julho de 2010.



OUTRAS NOTÍCIAS
 
 
 
Folha de Coqueiros
  atendimento@folhadecoqueiros.com.br
www.folhadecoqueiros.com.br
 
Folha Amarela
  folhaamarela@folhadecoqueiros.com.br
www.folhadecoqueiros.com.br/folhaamarela
Do que elas gostam
  atendimento@doqueelasgostam.com.br
www.doqueelasgostam.com.br